
Roteirização
Como dividir regiões entre motoristas sem sobrecarregar ninguém
Por MoveControl · · 6 min de leitura
Resposta rápida
Divida as regiões pela carga de trabalho, e não pela área no mapa. Carga de trabalho é a soma do tempo de deslocamento com o tempo de parada, e uma região central pequena pode dar mais trabalho do que uma região periférica extensa. Use barreiras naturais da cidade como limites, considere a distância até a base, mantenha as bordas flexíveis para equilibrar o dia e revise a divisão sempre que a carteira de clientes mudar.
Por que dividir por região
Motorista com região definida aprende o território: sabe onde estacionar, conhece o horário de cada portaria, descobre o atalho que o mapa não mostra. O cliente recorrente passa a reconhecer quem o atende. E o planejamento fica mais simples, porque a primeira pergunta sobre cada coleta, a de quem é, já vem quase respondida pelo endereço.
O risco está em dividir mal. Uma região sobrecarregada gera atraso crônico e motorista desgastado. Uma região folgada gera veículo ocioso. E limites rígidos demais fazem um motorista recusar a coleta do outro lado da avenida enquanto o colega está afogado.
Divida por carga de trabalho, não por área
Dois pedaços iguais no mapa raramente significam dois dias iguais na rua. O centro da cidade concentra paradas, mas cada uma demora: vaga difícil, prédio com portaria, elevador. A periferia tem paradas rápidas, porém espalhadas. O equilíbrio vem de estimar, para cada região, o tempo total do dia.
- Número típico de paradas por dia na região, fixas mais avulsas.
- Tempo médio de parada, que varia com o tipo de cliente.
- Distância entre as paradas.
- Distância da região até a base, na ida e na volta.
- Janelas de horário predominantes: região em que todos querem manhã comporta menos paradas por motorista.
Um exemplo para fixar a ideia: a região central pode render vinte e cinco paradas em poucos quilômetros, cada uma com espera em portaria e dificuldade de vaga. A região industrial, na saída da cidade, pode ter dez paradas distantes entre si, com doca livre e carga pronta. No mapa, a segunda é muitas vezes maior. No relógio, as duas ocupam o mesmo dia de trabalho. É o relógio que deve desenhar o limite.
Considere ainda o tipo de veículo. Região de ruas estreitas e pouco volume combina com moto ou utilitário pequeno. Região de galpões combina com veículo maior. Dividir sem olhar o veículo cria a situação em que o motorista certo está com o carro errado.
Use as barreiras da cidade como limite
Limite bom é o que o motorista não quer cruzar: via expressa, linha de trem, rio, serra, anel rodoviário. Em Belo Horizonte, por exemplo, quem opera sabe que atravessar certas avenidas no pico custa mais do que rodar vários quilômetros dentro do mesmo lado. Cada cidade tem as suas barreiras, e a equipe de rua as conhece melhor do que qualquer mapa.
Evite usar divisão administrativa de bairros como critério único. Ela não foi desenhada para logística, e é comum dois bairros vizinhos no nome ficarem em lados opostos de uma barreira.
Considere a posição da base
Regiões em formato de fatia, que partem da base e se abrem em direção à periferia, costumam funcionar melhor do que anéis. Na fatia, o motorista vai e volta pelo próprio território, e qualquer parada está no caminho. No anel, o motorista da faixa externa atravessa a região dos outros na ida e na volta sem atender ninguém. Isso pesa ainda mais quando há prazo de retorno à base para a carga coletada.
Deixe as bordas flexíveis
Região é ponto de partida, não cerca. A demanda varia de um dia para outro, e a coleta avulsa não respeita o desenho. A prática saudável é tratar as ruas próximas ao limite como área compartilhada: a parada vai para quem, naquele dia, a absorve melhor.
No MoveControl, esse equilíbrio diário é feito no quadro de atribuição, que mostra as paradas de cada motorista lado a lado e permite mover uma coleta de um para outro.
Para as coletas que chegam durante o dia, a sugestão de motorista indica quem encaixa melhor a nova parada, mesmo que isso signifique cruzar o limite da região.
Quando e como revisar a divisão
- Quando um motorista fecha o dia sistematicamente mais tarde que os demais.
- Quando entra ou sai um cliente grande, que muda o peso de uma região.
- Quando a frota aumenta ou diminui.
- Quando a base muda de endereço.
- Em intervalos regulares, mesmo sem motivo aparente, porque a carteira muda aos poucos.
Na revisão, envolva os motoristas. Eles sabem quais ruas da borda fariam mais sentido no território do colega. E faça a transição com cuidado nos clientes recorrentes: apresentar o novo motorista evita estranhamento na portaria.
Os indicadores do MoveControl, com exportação em CSV, ajudam a embasar a revisão com dados da própria operação.
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